domingo, 11 de novembro de 2018

É tudo arte

Algumas coisas que sempre acontecem comigo, e penso que é só comigo, sabe? Mas que há possibilidades de que aconteça com vocês também. Por exemplo, parafusos. Eu encontro parafusos soltos com uma frequência bem maior do que, algum dia, pude imaginar que os encontraria. No carro, na sala, as vezes esperando o dentista ou na fisioterapia. Outra coisa são as meias. Elas andam sozinhas e se perdem por aí. Igual aquela história que éramos uma dupla de nascença unidos pelas costas, mas alguém fez uma coisa ruim e Zeus mandou um raio que separou todo mundo, saindo cada metade para um lado, e agora vivemos todos a procurar a nossa metade. Pois é. Tudo isso por causa de um par de meia que sempre cisma em querer ser um. Igual a esse é o caso dos guarda-chuvas. Mais comum. Todos sabemos que eles se perdem. Sempre tem uma tia, uma madrinha, que conta que existe a terra dos guarda-chuvas perdidos. Não há jeito de lembrar do pobre guarda-chuva depois que a chuva acaba. Sempre esquecido. Também tem aquele monte de guarda-chuvas estragados que são deixados no lixo em dia de ventania. Esse, coitado, torce para que alguém ressignifique, reaproveite toda a sua anatomia. Talvez vire até uma obra de arte, quem sabe?

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